terça-feira, 27 de junho de 2006

Feliz Ano Novo pra mim!!

Hoje eu completo 32 primaveras.

Meu avô, de onde estiver, dirá pra mim: "Tá fazendo 23 anos, né, Cocota?". Pois é, Vô, tô fazendo é 16... ;-)

Minha mãe, no entanto, adora relembrar todo ano o episódio de meu nascimento, com todos os problemas, alegrias e diversões...

Em 1988, quando fiz 14 anos, escrevi uma pequena história sobre isso e vou tentar reproduzí-la aqui.

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"26 de junho de 1974. Pensar que há 14 anos eu estava encolhida de ponta-cabeça num lugar tão quentinho e tão gostoso! Eu estava dentro da barriga de minha mãe. Nessa mesma hora, à noite, meus pais estavam se dirigindo para São Paulo, pois minha mãe faria uma cesariana na manhã seguinte, no Hospital Matarazzo.

No mundo, acontecia a Copa do Mundo na Alemanha. Brasil era um dos favoritos, já que se tornou Tri-Campeão em 70. O time brasileiro acabava de vencer 3 a 0 sobre o Zaire e seguiria para as Oitavas-de-Final. Obviamente, intensa comemoração em toda Pátria do Futebol e, especialmente, na Avenida Paulista, lotada de torcedores.

Minha mãe estava bem barriguda, nem parecia estar grávida de um ser só e, ainda, com 8 meses de gestação. Como era inverno, estava frio, e nada melhor do que esquentar a barriga em um cobertor.

Meu pai, vendo aquela multidão impedindo a passagem dos carros pela Paulista, estava nervoso e ansioso. Afinal, eles tinham horário para chegar ao Hospital por causa da internação e os preparativos para a cirurgia.

O trânsito estava uma loucura. Aliás, todos estavam malucos, bêbados, felizes... Minha mãe, ao ver que não iríamos sair do lugar tão cedo, deu a seguinte idéia ao meu pai:

- Assis, chama aquele guarda lá. Fala pra ele que estou em trabalho de parto e precisamos chegar ao Matarazzo logo.

Dito e feito, meu pai chamou o policial. Este, parecendo não acreditar no que meu pai dizia, enfiou a cabeça por dentro do vidro e viu minha mãe com aquele barrigão, gemendo "de dor".

- Claro! - disse o guarda. - Vou liberar o trânsito para vocês e o senhor pode passar por cima do canteiro ali para atravessar e chegar na Alameda Rio Claro.

Depois de atravessar, o "seu" guarda ainda perguntou:

- O senhor precisa de batedor? Eu vou guiando o senhor até o hospital!

- Não precisa - disse Assis. - Está pertinho daqui, chego rápido! - continuou, porém preocupado, pois não iriam entrar pela enfermaria, mas sim, pela internação.

Chega o dia 27 de junho. Um novo dia. Noite mal dormida, anestesias... E ainda, platéia: como Dr. Domingos Deláscio era professor da USP, alguns de seus alunos e outros médicos curiosos foram assistir a um parto complicado de mãe diabética com mioma no útero, que engravidou só Deus sabe como, a despeito da pílula e do tumor.

Está chegando... Está chegando... Eu estava naquele lugar quentinho e nem tinha idéia do que estava para acontecer. Eu iria nascer, vir ao mundo, neste mundo...

Às 7:25 da manhã fui retirada do útero, mas nem percebi que me tiraram do sossego e do aconchego. Eu não chorei, não tinha como, porque uma certa coisa apertava meu pescoço: o cordão umbilical. Médicos ficaram nervosos: "Oxigênio! Oxigênio! Depressa!" Minha mãe também percebeu, mesmo sob efeito de anestesia.

Logo que inspirei o oxigênio pela primeira vez, chorei. Berrei de tudo: alegria, júbilo, raiva de sair da "vida boa"... Para alívio dos médicos e, especialmente, da minha mãe.

Fiquei na incubadora por uma semana. Parecia que havia voltado àquele lugar, mas não era a mesma coisa...

Enfim, chegou a hora de ir pra casa. Minha mãe me leva em seus braços, e eu, quietinha, japonesinha, branquelinha, dormia envolta em mantas.

E assim começa minha aventura: VIVER."

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P.S.: Brasil venceu o Gana por 3 a O. Placar idêntico... Será algum sinal divino?

:-P

Um comentário:

Anônimo disse...

Nossa, Laine, que história linda!
Não deixa de ser uma lição esta luta para a vida. Você nasceu, contra todas as hipóteses, numa gravidez de risco, e ainda por cima bem no horário de um jogo do Brasil na Copa...
Isso é que é ser campeã!
Beijos e parabéns!