Bom, todo professor tem a sua coleção de pérolas dos alunos. O meu erro foi não ter anotado todas que ouvi nesses aaaaaaanos todos de magistério, e ainda por cima, tendo a memória fraca, mas vou tentar, né?
Antes de mais nada, deixe- me apresentar: sou professora de Educação Musical, apesar de formada em Direito, e trabalho com crianças na faixa etária de 6 meses a 10 anos.
Pérola 1 - Apresento 3 tambores de tamanhos diferentes para que as crianças aprendam sobre altura dos sons e comento: "pessoal, esse tambor aqui (aponta) chama surdo..." (aluno de 4 anos interrompe) "ah, já sei, prô... aquele lá é o cego e o outro é o mudo..."
Pérola 2 - Uma menininha não para de chorar e chamar pela mãe. Assim que ela se acalma, entra na sala outra criancinha, menor que ela, chorando também. A menina logo chega perto e sussurra: "você quer a mamãe, né? Eu sei como é... mas daqui a pouco ela vem te buscar, viu? Fica quietinha..."
Pérola 3 - Essa eu já comentei aqui, mas vou postar de novo porque merece. Estou afônica, entro numa sala de 2a. série e digo: "Ai... e agora? Como vou dar aula para vocês assim, sem voz? " Um menino comenta: "Ué, prô... Beethoven era surdo e fazia música mesmo assim! Então!"
Pérola 4 - "Turma, porque será que a nossa flauta se chama flauta-doce?" " Eu sei, prô, porque ela tem a cor do Lacta, chocolate branco!"
Pérola 5 - "... então, pessoal, vamos acabar com essa modinha de cantar o Hino Nacional com a mão no peito, tá? Isso já está ultrapassado. Todo mundo com os braços para baixo!"
(aluno) "Mas prô, porque os jogadores de futebol ainda cantam com a mão no peito?"
(outro aluno) "Porque eles não tiveram aula com a Alessandra, né?"
...
Vou postando mais à medida que eu me lembrar.
domingo, 24 de maio de 2009
"Mór brisa essa Elis Regina"
Teatro Politheama, Jundiaí, espetáculo do Mawaca (lindoooo, quem não foi perdeu!). Público formado basicamente de artistas plásticos, atores, músicos e um pessoal digamos, mais alternativo. Estou sentada lá, aguardando o início do espetáculo quando flagro a seguinte conversa atrás de mim:
- Pô, cara, tu precisava ver a Elis Regina.
- Ãhn.
- Apareceu na Cultura, cara, tá ligado? Mór brisa aquela mulher.
- Ãhn.
- Cara, ela tava cantando uma música que tu não acredita, era um negócio assim sequenciado, tipo, umas palavras que iam casando uma com a outra, tá ligado? Mór música comprida.
-Ãhn.
- É, como vou explicar?... Tipo assim, as sílabas combinavam e ficava um troço assim cadenciado, mór doidera, cara! Tipo umas palavras soltas que começavam com a mesma letra e quando juntavam combinavam, tá ligado?
-Ãhn.
- E ela ia só brisando naquilo cara, piração.
- Ãhn.
- Era um negócio assim: "É pau, é pedra" aí falava um monte de coisa nada a ver, mór brisa.
...
Pausa para me segurar na cadeira do Politheama.
É, queridos leitores, a falta que faz a EDUCAÇÃO MUSICAL neste país.
- Pô, cara, tu precisava ver a Elis Regina.
- Ãhn.
- Apareceu na Cultura, cara, tá ligado? Mór brisa aquela mulher.
- Ãhn.
- Cara, ela tava cantando uma música que tu não acredita, era um negócio assim sequenciado, tipo, umas palavras que iam casando uma com a outra, tá ligado? Mór música comprida.
-Ãhn.
- É, como vou explicar?... Tipo assim, as sílabas combinavam e ficava um troço assim cadenciado, mór doidera, cara! Tipo umas palavras soltas que começavam com a mesma letra e quando juntavam combinavam, tá ligado?
-Ãhn.
- E ela ia só brisando naquilo cara, piração.
- Ãhn.
- Era um negócio assim: "É pau, é pedra" aí falava um monte de coisa nada a ver, mór brisa.
...
Pausa para me segurar na cadeira do Politheama.
É, queridos leitores, a falta que faz a EDUCAÇÃO MUSICAL neste país.
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