domingo, 24 de maio de 2009

Pérolas dos meus alunos.

Bom, todo professor tem a sua coleção de pérolas dos alunos. O meu erro foi não ter anotado todas que ouvi nesses aaaaaaanos todos de magistério, e ainda por cima, tendo a memória fraca, mas vou tentar, né?

Antes de mais nada, deixe- me apresentar: sou professora de Educação Musical, apesar de formada em Direito, e trabalho com crianças na faixa etária de 6 meses a 10 anos.


Pérola 1 - Apresento 3 tambores de tamanhos diferentes para que as crianças aprendam sobre altura dos sons e comento: "pessoal, esse tambor aqui (aponta) chama surdo..." (aluno de 4 anos interrompe) "ah, já sei, prô... aquele lá é o cego e o outro é o mudo..."

Pérola 2 - Uma menininha não para de chorar e chamar pela mãe. Assim que ela se acalma, entra na sala outra criancinha, menor que ela, chorando também. A menina logo chega perto e sussurra: "você quer a mamãe, né? Eu sei como é... mas daqui a pouco ela vem te buscar, viu? Fica quietinha..."

Pérola 3 - Essa eu já comentei aqui, mas vou postar de novo porque merece. Estou afônica, entro numa sala de 2a. série e digo: "Ai... e agora? Como vou dar aula para vocês assim, sem voz? " Um menino comenta: "Ué, prô... Beethoven era surdo e fazia música mesmo assim! Então!"

Pérola 4 - "Turma, porque será que a nossa flauta se chama flauta-doce?" " Eu sei, prô, porque ela tem a cor do Lacta, chocolate branco!"

Pérola 5 - "... então, pessoal, vamos acabar com essa modinha de cantar o Hino Nacional com a mão no peito, tá? Isso já está ultrapassado. Todo mundo com os braços para baixo!"
(aluno) "Mas prô, porque os jogadores de futebol ainda cantam com a mão no peito?"
(outro aluno) "Porque eles não tiveram aula com a Alessandra, né?"


...


Vou postando mais à medida que eu me lembrar.

"Mór brisa essa Elis Regina"

Teatro Politheama, Jundiaí, espetáculo do Mawaca (lindoooo, quem não foi perdeu!). Público formado basicamente de artistas plásticos, atores, músicos e um pessoal digamos, mais alternativo. Estou sentada lá, aguardando o início do espetáculo quando flagro a seguinte conversa atrás de mim:

- Pô, cara, tu precisava ver a Elis Regina.
- Ãhn.
- Apareceu na Cultura, cara, tá ligado? Mór brisa aquela mulher.
- Ãhn.
- Cara, ela tava cantando uma música que tu não acredita, era um negócio assim sequenciado, tipo, umas palavras que iam casando uma com a outra, tá ligado? Mór música comprida.
-Ãhn.
- É, como vou explicar?... Tipo assim, as sílabas combinavam e ficava um troço assim cadenciado, mór doidera, cara! Tipo umas palavras soltas que começavam com a mesma letra e quando juntavam combinavam, tá ligado?
-Ãhn.
- E ela ia só brisando naquilo cara, piração.
- Ãhn.
- Era um negócio assim: "É pau, é pedra" aí falava um monte de coisa nada a ver, mór brisa.

...

Pausa para me segurar na cadeira do Politheama.

É, queridos leitores, a falta que faz a EDUCAÇÃO MUSICAL neste país.