quarta-feira, 12 de abril de 2006

Vó Ananiza Motta Marques

É obvio que no aniversário de seus 09 anos eu não iria deixar passar em branco sem ao menos um post...

Alguém pergunta: "9 anos? Como assim? É 90!"

Não, é 9, com direito a gol de placa.

Meu avô nunca se esqueceu dos aniversários dos filhos, netos e bisnetos (mesmo doente). Ele sempre nos ligava e nos dizia: "hoje você está fazendo 72 anos, né?". Sempre invertia os números e isso era sua marca registrada.

Minha vó completa hoje 90 anos. A veínha, carinhosamente chamada assim por nós, sobreviveu a muita coisa. Sua história de vida realmente daria um livro, bem como a do meu avô. Saltando as partes que dariam um bom romance, foi ela quem cuidou de mim quando bebê enquanto minha mãe ficava no hospital; ensinou-me a fazer crochê, com direito ao dedo indicador da mão esquerda levantado e óculos na ponta do nariz (o que era motivo de gozação do meu avô); ensinou-me a fazer bolo ("você tem mão boa, coração bom, aproveite!"), estimulou-me a ter dons artísticos e a gostar de plantas. Foi ela quem me recebeu em casa e me pegou no colo pela primeira vez depois que sai do hospital, acompanhada do "babai" Roberto.

Sempre cheirosinha, sempre vaidosa, sempre dorminhoca no sofá, sempre fazendo coisas gostosas pra gente comer. Católica fervorosa, suas preocupações para com a família sempre foram resolvidas depois de passar muitas noites insone de tanto rezar. Fugiámos de sua bengala quando ficava brava, mas éramos os primeiros a pegá-la pra brincar de cavalinho - isso deixava ela doida ainda mais atrás de nós. É dela o bordão "tadinha!" e "ah!", é dela o olho mais gordo de nos enxergar ("nooossa, você engordooou!"), é dela o carinho quando teceu e nos presenteou as lindíssimas e pesadas colchas de crochê, é dela a vontade de nos ver felizes ("eu vou rezar muito, pedir muito a Deus pra você ser feliz, viu?"), é só dela o amor que mantém pelo meu avô, Mathias Marques, já que ficaram juntos por mais de 61 anos.

Vó, minha mãe duas vezes... ainda bem que está aqui conosco. Vou te curtir de montão até o final. E repito aqui o que falo toda vez que te coloco na cama: EU TE AMO. Muito.

Sua Cocota

Um comentário:

Alessandra disse...

Ê, Dona Názia...
E as bengaladas?
Beijos, vovó, te amamos!